domingo, 13 de agosto de 2017

 CAPUCHINHO VERMELHO

   Era uma vez uma boa e formosa menina, a quem a sua avozinha dera um lindo gorro vermelho. A partir desse dia toda a gente passou a chamar~lhe Capuchinho Vermelho.
   Como a avozinha estava doente, a mãe disse à menina:
   - Capuchinho, leva estes bolos à avozinha, mas não pares no caminho. A menina disse que sim e partiu muito contente. Uma vez chegada ao bosque, Capuchinho pôs-se a apanhar flores silvestres.
   Teria sido melhor não parar, porém, ela queria oferecer à sua avozinha um lindo ramalhete.
   Nesse instante, o Lobo Mau viu Capuchinho e lambendo o focinho, disse:
   - Olá, linda menina! Que bonitas flores aí levas! - saudou o Lobo.
   - São para a minha avozinha que está doente. Vive nma casinha do outro lado do bosque.
   - Ai sim? Oxalá se cure depressa - respondeu o Lobo. E desatou a correr para a casa da avó de Capuchinho. Quando lá chegou, toc-toc, bateu à porta.
   O Lobo Mau fingiu ser Capuchinho e a avozinha, abrindo a porta, caiu de susto ao ver quem era. O Lobo amarrou-a, vestiu o seu vestido e meteu-se na cama.
   Pouco depois chegou Capuchinho e, pam-pam, bateu à porta. O Lobo Mau matreiro, imitando a voz da avozinha, convidou-a a entrar.
   A menina ficou admirada ao ver como a doença havia transformado a cara da sua avó, mas apanhou um grande susto quando viu os enormes dentes que o Lobo lhe mostrou dizendo-lhe que eram para a comer melhor.
   Capchinho fugiu, para pedir ajuda e teve a sorte de ser ouvida por um caçador, o qual vindo em seu socorro não tardou em dar caça ao Lobo Mau, que nunca mais pôde importunar Capuchinho, a sua avozinha nem nenhum dos habitantes do bosque.




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terça-feira, 18 de julho de 2017

FÉRIAS DIFERENTES

   A agência de viagens enganou-se e os turistas aterraram mesmo no meio de uma guerra.
   Como fazia sol, e já que tinham trazido os bronzeadores e fatos de banho os turistas sentaram-se nas varandas do hotel, a apanhar no corpo aquela luz quentinha, enquanto soavam os barulhos de bombas e tiros.
   Já que traziam mapas e um roteiro da cidade decidiram dar uns passeios e visitar as ruínas de edifícios, comparando-as com as ultrapassadas indicações do guia turístico.
   Já que traziam máquinas fotográficas ao pescoço decidiram tirar fotografias aos cadáveres espalhados pela rua.

Gonçalo M. Tavares, O Senhor Brecht


quinta-feira, 1 de junho de 2017

A UMA CRIANÇA QUE DANÇA NO VENTO

Dança aí junto ao mar;
Que te importa
O rugido da água, o rugido do vento?
Sacode a tua cabeleira
Molhada de gotas de sal;
Tu que és tão jovem ignoras
O triunfo do néscio, não sabes
Que o amor mal se ganha e logo se perde, 
Nem viste morrer o melhor operário
E todos os feixes por atar.
Porque hás de temer
O terrível clamor dos ventos?

W. B. Yeats

1865 - 1939


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domingo, 7 de maio de 2017

Cada palavra que aprendes
quando começas a ler
é o mundo a conversar
com quem o quer conhecer.
Cada palavra que juntas
àquelas que já sabias
é uma luz que se acrescenta
à que ilumina os teus dias.

José Jorge Letria, Versos Para os Pais Lerem
aos Filhos em Noites de Luar,
Ed. Ambar


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sábado, 15 de abril de 2017

O BURRO

Às vezes zurra
espoja-se no pó
às vezes
e só então damos por ele.

Se assim não fosse
só se viam as orelhas
na cabeça de um planeta
e nem sequer sinal dele.

Vasko Popa, O Fazer da Poesia

1922 - 1991

Poeta jugoslavo


quarta-feira, 22 de março de 2017

CHUVA

Cai chuva, ploc, ploc
corre a chuva, ploc, ploc
como um cavalo a galope.

Enche a rua, plás, plás
esconde a lua, plás, plás
e leva as folhas atrás.

Risca os vidros, truz, truz
molha os gatos, truz, truz
e até apaga a luz.

Parte as flores, plim, plim
maça a gente, plim, plim
parece não mais ter fim.

Luísa Ducla Soares, A Gata Tareca
 e Outros Poemas Levados da Breca


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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

COMO UMA VACA VEIO RESIDIR 
COM OS ORELHUDOS

   Um dia numa floresta um coelho matou um homem. Uma vaca observava esperando que o homem se levantasse. Um inseto rastejou na cara do homem. Uma vaca observava esperando que o homem se levantasse. Uma vaca saltou uma sebe para ver mais de perto como um coelho arruma um homem. Um coelho ataca uma vaca pensando que a vaca veio ajudar o homem. O coelho domina a vaca e arrasta a vaca para a sua toca.
   Quando a vaca desperta a vaca pensa, eu queria estar no cimo da terra indo com o homem para o meu estábulo.
   Mas a vaca permanece com estes orelhudos para o resto da vida.

Russel Edson, O Túnel

1935 - 2014

Escritor e ilustrador americano

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