domingo, 18 de fevereiro de 2018

POPPY

 Poppy pensou no que ela acabara de dizer e perguntou-se se seria mesmo assim. Poderiam as roupas diferentes fazer-nos sentir outras pessoas? E decidiu testar a teoria da prima vestindo algumas das roupas fabulosas que via à sua volta. Pôs um pequeno chapéu preto e pegou num xaile colorido, que enrolou à volta dos ombros.
   - Agora sou uma avozinha! - disse a sorrir. A seguir experimentou um vestido pré-mamã cheio de florzinhas e amarrou um lenço na testa. - Uau! Agora sou uma hippy - disse a rir-se.
   Depois pegou num vestido de noiva cheio de franzidos e pregueados e num véu com um toucado de flores de seda e vestiu-se de noiva. Isto é muito divertido, pensou a Poppy. Posso transformar-me no que quiser e em quem quiser, desde que vista as roupas adequadas. Talvez a Dedal de Açafrão esteja certa!

Janey Louise Jones, Uma Verdadeira Princesa,
20/20 Editora


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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

ADIVINHA

Já veio, já veio!
E trouxe uma carta
da amiga Marta!
Já veio, já veio!
Chegou a voar
e trouxe o correio
sem se enganar!

Que profissional
é este animal?
Bravo! Sei que vais adivinhar!

Maria Teresa González, Adivinhas com Bicho

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(o pombo-correio)

sábado, 27 de janeiro de 2018

AVIONAR

"Não esteja na Lua
desça à Terra."
E o menino a replicar:
"Não me chega esta Terra."
"Seja realista, terra a terra."
"Mas eu sou do tipo ar, ar."
E os olhos do menino
já eram balões quando a professora
lhe ordenou que saísse.
Despediu-se da colega e disse:
"Conto estrelas em ti."
Ao sair, deixou na mesa da professora
o mais bonito avião de papel
que se possa imaginar.
Era uma prenda desesperada
de um menino triste
por não a poder contagiar.
Na sala, um silêncio ficou suspenso
por palavras que também quiseram
voar.

Teresa Guedes, Conto Estrelas em Ti


sábado, 30 de dezembro de 2017

SONHO



   A avó entende que a vida não passa duma galé para quem nasceu pobre, mas ele gosta de andar na lida do campo, embora queira meter-se a serralheiro. Bem melhor do que ir à escola aprender coisas sem préstimo, acha o Constantino na sua. Por isso o tempo de férias o encontra sempre expedito para qualquer trabalho ao ar livre, sem a sujeição daquela amarra da carteira, onde já gravou, a canivete, a primeira letra do nome.
   No trato das vacas e das burras, a partir lenha ou a regar o milho para o pasto na terra que o pai traz de renda, nunca lhe ouviram uma rezinguice, a não ser quando resolve meter-se no rio e o chamam de casa para fazer um recado. Então exaspera-se, dão-lhe raivas súbitas, recalcitra, abana o corpo todo, como se tivesse pulgas no sangue.
   O rio é a sua paixão - talvez por sonhar que um dia chegará a serralheiro de barcos, como ele diz.
   Já se tornou num hábito verem Constantino deitado por ali a olhar as águas, cujo destino tão bem conhece. Por sinal, sabe mais coisas do que vem nos livros: lá só falam do rio Trancão, e para ele o Trancão só começa ao pé de Bucelas; antes disso há muitos outros rios - o da Lavandeira, o da Ponte Grande, o da Pontinha, sem falar nos açudes do Avelar e do Casalinho, onde um banho regala o corpo feio das ratas-d'água, quanto mais o de uma pessoa com fala e entendimento. A mãe já lhe tem dito vezes sem conta que um dia, sem ele esperar, lhe começarão a nascer barbatanas e ficará peixe dentro do rio.
   O rapaz delicia-se com a hipótese e pensa, radiante, que aí estava uma boa maneira de chegar mais depressa a Lisboa, onde já o levaram para ver o Tejo e os barcos... Foi um dia bem passado, olarila! Nunca mais se esqueceu...
   Ainda hoje brincam com ele, repetindo o seu deslumbramento perante o quadro das fragatas e dos navios, das gaivotas e dos ruídos.
   "Ena tanta água!", gritara entusiasmado e tonto. "Donde vem esta água toda?" E ali mesmo lhe nasceu a vocação para serralheiro de navios, entre as maravilhas dessa manhã soalheira.
   Antes de ser homem - ah, sim, bem antes de lá chegar! - sonha construir um barco para fazer uma viagem. Até onde?! Não avalia bem. Nunca viu coisa mais bonita em toda a sua vida! Parece-lhe milagre que a água aguente um navio de ferro tão grande e tão cheio de gente... Também ele quer experimentar fazer um... E já tem uma ideia...





Alves RedolConstantino, Guardador de Vacas e de Sonhos


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domingo, 10 de setembro de 2017

O POLEGARZINHO

   Era uma vez dois camponeses que viviam muito desgostosos por não terem filhos.
   - Era tão bom termos uma criança, nem que fosse do tamanho de um polegar! - desejou o camponês.
   Deus ouviu-os e, sete meses depois, a camponesa dava à luz um menino tão pequeno como um polegar!
   Chamaram-lhe, por isso, Polegarzinho. Um belo dia, quando ia com o pai buscar lenha, o Polegarzinho quis subir para a orelha do cavalo:
   - Assim posso-lhe ir indicando o caminho; serei o seu cocheiro invisível!
   Quando perceberam que era o Polegarzinho quem tão bem orientava o cavalo, dois estranhos que por ali passavam ficaram muito surpreendidos e quiseram levar o menino com eles:
   - Na cidade hão de pagar-nos para vê-lo!
   O pai não quis vendê-lo, mas o Polegarzinho prometeu que iria por pouco tempo e pôs-se a caminho com eles.
   Depois de um dia inteiro a andar, o Polegarzinho escapuliu-se, escondendo-se dentro da casca de um caracol. E adormeceu. Mais tarde acordou com dois homens a falar:
   - Como é que havemos de roubar o ouro do padre?
   - Eu posso ajudá-los! - gritou o Polarzinho, pronto a enganá-los. - Consigo passar entre as grades!
   - Ótimo! Então vamos a isso! - decidiram eles.
   Mas mal chegaram a casa do padre, o Polegarzinho entrou e pôs-se a gritar:
   - Querem mesmo o ouro todo que está aqui dentro?
   Os ladrões suplicaram-lhe que se calasse, mas ele não parava de gritar e, com o barulho, acordou toda a casa.
   A criada levantou-se e os ladróes tiveram de fugir.
   Escondendo-se no feno do estábulo, o Polegarzinho adormeceu profundamente.
   Mas de manhãzinha, quando a criada foi alimentar os animais, deu às vacas todo o feno e o Polegarzinho foi engolido junto.
   - Socorro! Não consigo respirar! - gritava ele.
   A vaca, assustada, dava saltos e mais saltos e a criada correu a chamar o padre.
   O Polegarzinho gritava, gritava... e o padre pensando que a vaca estava enfeitiçada, exigiu que a matassem.
   E quando o estômago do animal foi atirado para um monte de estrume, o Polegarzinho foi junto com ele!
   Foi então que apareceu por ali um lobo esfomeado que resolveu engolir o estômago... com o menino dentro.
   Mas o espertalhão do Polegarzinho disse ao lobo:
   - Senhor lobo, conheço um ótimo lugar para comer uns bons petiscos.
   - Ah, sim? E onde é que isso fica?
   - É muito perto daqui, numa casa onde há imensos toucinhos, bolos... E basta entrar pelo respiradouro.
   Era a casa do Polegarzinho!
   O lobo empanturrou-se de tal modo que, quando quis ir-se embora, já não conseguia passar pelo respiradouro. E o Polegarzinho fez tanto barulho que os pais vieram a correr.
   - Pai! Sou eu! Estou aqui dentro do lobo!
   O pai foi buscar uma espingarda, matou o lobo e o Polegarzinho saíu, finalmente, cá para fora.
   Como eles ficaram contentes ao ver o filho!
   - Estávamos tão preocupados! Onde te meteste?
   - Estive na orelha de um cavalo, na casca vazia de um caracol, no chapéu de um vagabundo, no estômago de uma vaca e na barriga de um lobo! Tive muito medo mas aprendi a lição.
   - Agora vais ficar connosco e nunca mais nos separaremos de ti!

Irmãos Grimm (adaptado)











quarta-feira, 6 de setembro de 2017

domingo, 13 de agosto de 2017

 CAPUCHINHO VERMELHO

   Era uma vez uma boa e formosa menina, a quem a sua avozinha dera um lindo gorro vermelho. A partir desse dia toda a gente passou a chamar~lhe Capuchinho Vermelho.
   Como a avozinha estava doente, a mãe disse à menina:
   - Capuchinho, leva estes bolos à avozinha, mas não pares no caminho. A menina disse que sim e partiu muito contente. Uma vez chegada ao bosque, Capuchinho pôs-se a apanhar flores silvestres.
   Teria sido melhor não parar, porém, ela queria oferecer à sua avozinha um lindo ramalhete.
   Nesse instante, o Lobo Mau viu Capuchinho e lambendo o focinho, disse:
   - Olá, linda menina! Que bonitas flores aí levas! - saudou o Lobo.
   - São para a minha avozinha que está doente. Vive nma casinha do outro lado do bosque.
   - Ai sim? Oxalá se cure depressa - respondeu o Lobo. E desatou a correr para a casa da avó de Capuchinho. Quando lá chegou, toc-toc, bateu à porta.
   O Lobo Mau fingiu ser Capuchinho e a avozinha, abrindo a porta, caiu de susto ao ver quem era. O Lobo amarrou-a, vestiu o seu vestido e meteu-se na cama.
   Pouco depois chegou Capuchinho e, pam-pam, bateu à porta. O Lobo Mau matreiro, imitando a voz da avozinha, convidou-a a entrar.
   A menina ficou admirada ao ver como a doença havia transformado a cara da sua avó, mas apanhou um grande susto quando viu os enormes dentes que o Lobo lhe mostrou dizendo-lhe que eram para a comer melhor.
   Capchinho fugiu, para pedir ajuda e teve a sorte de ser ouvida por um caçador, o qual vindo em seu socorro não tardou em dar caça ao Lobo Mau, que nunca mais pôde importunar Capuchinho, a sua avozinha nem nenhum dos habitantes do bosque.




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