domingo, 16 de junho de 2019

ADIVINHA

Quem vê lagarta
não sabe que um dia,
do casulo farta,
sai em euforia
com um corpinho belo,
azul, amarelo,
vermelho, vibrante
(mesmo estonteante)
e põe-se a voar...

Já sabes ou vais pensar?

Resultado de imagem para lagarta

Resposta: a borboleta

segunda-feira, 10 de junho de 2019

MOTOCICLISTA

Não é ave, não é seta.
Espalma as duas mãos abertas
num guiador niquelado,
colado às horas despertas
que lhe segredam recados.
Não é ave, não é seta,
não é explosão de cometa
por um céu iluminado,
mas infiltra-se nas retas
com um lenço alaranjado,
perfumado de giestas,
ondulante e ondulado.
Não é ave, não é seta,
não é explosão de cometa
nem projétil disparado,
é um remendo de vela
sobre um mar encapelado,
uma centelha perpétua
que se prolonga no espaço.
Não é ave, não é seta,
não é explosão de cometa,
nem projétil disparado,
não é um homem com pressa,
faz parte da Natureza,
é um requinte do vento,
é um poema encarnado.

Isabel Pulquério


quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

MAR

Bebo-o a colherinhas de olhos
na taça da manhã.
E nem ele se esgota,
nem eu me sacio.

Luísa Dacosta, A Maresia e o Sargaço dos Dias


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

AMIZADE DE MUITAS CORES

Conheci no outro dia
Um menino d'Angola.
Cheguei perto dele:
«Queres jogar à bola?»

Conheci noutro dia
Um cigano a cavalo.
Cheguei perto dele:
«Eu posso montá-lo?»

Conheci no outro dia
Uma menina chinesa.
Cheguei perto dela:
«Queres sentar-te à minha mesa?»

Sem preconceito,
Sem medos,
Nem ódios!

Joguei futebol,
Andei num cavalo de verdade
Partilhei o seu rissol,
E não vivo sem amizade!

Tenho mil amigos,
Não ligo ao seu passaporte,
Só me interessa a amizade,
E vivo cheio de sorte!

André Miguel Encarnação Silvestre in 39 poemas e contos contra o racismo
http://www.acidi.gov.pt/

Resultado de imagem para keith haring festa
Keith Haring, Festa


domingo, 21 de outubro de 2018

ADIVINHA

Quem vê a lagarta
não sabe que um dia,
do casulo farta,
sai em euforia
com corpinho belo,
azul, amarelo,
vermelho, vibrante
(mesmo estonteante)
e põe-se a voar...

Já sabes ou vais pensar?

Maria Teresa Gonzalez, Adivinhas Com Bicho

Imagem relacionada

sábado, 31 de março de 2018

O MAR, 
A NOSSA HERANÇA

   A Terra é o único planeta do sistema solar onde a água existe em quantidade apreciável, pois cobre cerca de sete décimos da superfície do Globo. Mas essa água, onde a vida surgiu pela primeira vez e da qual todos os organismos ainda dependem para sobreviver, foi-nos dada de uma vez por todas: não haverá mais. A História recordará a nossa época como um período de crise em que o Homem, o principal causador de toda a poluição, pôs em perigo o meio ambiente, incluindo o mar, sustentáculo da vida. Ao permitir que os resíduos industriais sejam lançados aos oceanos e recusando-se a aceitar um rigoroso controlo internacional dos direitos de pesca, o Homem impede o aparecimento de gerações futuras. As ilhas, lugares que desde sempre fascinaram a espécie humana, também são afetadas. Elas têm salvaguardado e preservado uma extraordinária diversidade de vida vegetal e animal, tendo sido o seu isolamento o fator que as transformou num último refúgio para numerosos peixes, corais e outras criaturas marinhas. Hoje em dia, até estes oásis estão ameaçados. No entanto, apesar de ser acusada de causadora de todos os males do mundo moderno, a tecnologia é, na realidade, a melhor arma da Humanidade contra a poluição, que tantas vezes se nos apresenta como o preço do progresso. Na verdade, não são os avanços científicos e industriais que ameaçam o Homem e a Natureza, mas sim a maneira errada e inconsciente como a Humanidade aplica as suas conquistas tecnológicas. Tenho esperanças de que um maior e mais profundo conhecimento do mar, do qual há milénios os homens recebem sabedoria, inspire mais uma vez os pensamentos e as ações que preservarão o equilíbrio da Natureza e permitirão a conservação da própria vida.

Jacques-Yves Cousteau, in Segredos do Mar, o Mundo Fascinante dos Oceanos e das Ilhas,
 Seleções do Reader´s Digest, julho 1978

Resultado de imagem para mar

domingo, 18 de fevereiro de 2018

POPPY

 Poppy pensou no que ela acabara de dizer e perguntou-se se seria mesmo assim. Poderiam as roupas diferentes fazer-nos sentir outras pessoas? E decidiu testar a teoria da prima vestindo algumas das roupas fabulosas que via à sua volta. Pôs um pequeno chapéu preto e pegou num xaile colorido, que enrolou à volta dos ombros.
   - Agora sou uma avozinha! - disse a sorrir. A seguir experimentou um vestido pré-mamã cheio de florzinhas e amarrou um lenço na testa. - Uau! Agora sou uma hippy - disse a rir-se.
   Depois pegou num vestido de noiva cheio de franzidos e pregueados e num véu com um toucado de flores de seda e vestiu-se de noiva. Isto é muito divertido, pensou a Poppy. Posso transformar-me no que quiser e em quem quiser, desde que vista as roupas adequadas. Talvez a Dedal de Açafrão esteja certa!

Janey Louise Jones, Uma Verdadeira Princesa,
20/20 Editora


Resultado de imagem para princesa poppy